(500) Dias Com Ela

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(500) Dias Com Ela

Mensagem por Valdeci C. de Souza em Dom Jul 01, 2012 9:48 am


Já escrevi aqui neste blog que sou fã de comédias-românticas bem
açucaradas e tudo mais. Foi com este espírito que resolvi assistir (500) Dias Com Ela
dirigido por Marc Webb. Ledo engano meu. O filme até tem um pouco de
comédia, claro. Muito de romance e discussões a cerca de relacionamentos
homem/mulher. Isso mesmo, nesta ordem: Homem discutindo a relação com a
mulher amada! Bem, já deu pra perceber que o filme inverteu a ordem
natural das coisas ou aquilo que estamos acostumados a assistir em
filmes românticos ou comédias leves. E para ser sincero, saiu-se muito
bem neste propósito. Pelo título do filme já foi possível perceber a
inversão de perspectiva narrativa bem como a inversão de valores visto
que o homem é que terá seus sentimentos e aprendizados colocados entre
parênteses! Aliás, uma narrativa nada linear uma vez que os dias
apresentados na tela transcorrem sem uma ordem cronológica. Mas não se
preocupe: de fácil compreensão em uma edição muito criativa. Uma visão
um tanto quanto heterodoxa (se é que se pode usar esta palavra para uma
simples resenha cinematográfica) das motivações e sentimentos amplamente
aceitos (e inúmeras vezes repetidos) nos roteiros dos filmes
classificados como “água com açúcar” ou “garota procura garoto para
romance de final feliz”. Só que neste caso e nesta produção em
particular, sob o olhar masculino.

Interessante que o título também já nos dá uma dica de como será o
final do filme e o abandono do personagem principal da história e a sua
desilusão com a perda do seu grande amor. É eu sei, contei o final do
filme… Mas a culpa não é minha e sim do título e acredito intenção real
de seus roteiristas! Mas não é um filme triste. Longe disso! Afinal, a
vida é feita de perdas e ganhos e o espectador é convidado a entender
(ou vivenciar) esta incrível história de amor sob a perspectiva
masculina. Neste particular é que o filme é honesto, íntegro e, acima de
tudo, sem utilizar de artificialismos e fáceis clichês. Ao colocar a
premissa logo no início da projeção e no título do filme o espectador é
convidado a não esperar os créditos finais para saber os destinos do
jovem casal, mas a vivenciar a experiência de um romance fracassado e,
em consequência, crescer como ser humano. Ou quem sabe mesmo tentar
entender os motivos que levaram o casal a ter esta ou aquela atitude
perante o relacionamento a dois. O que não deu certo? Onde o amor
falhou? A culpa foi de quem? Procurar respostas para estas e outras
perguntas é a intenção do filme e o espectador vai vivenciar estas
questões e sofrer (e ser feliz) com Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt)
nos 500 dias em que amou e viveu ao lado de Summer Finn (Zooey
Deschanel). Quinhentos dias entre parênteses, não se esqueçam!

Tom Hansen é um arquiteto formado que trabalha como escritor de
cartões de felicitações em uma empresa de Los Angeles que no dia 8 de
janeiro conhece Summer Finn a nova assistente do seu chefe. Amor à
primeira vista, claro! Assim começa o primeiro dia. Ele é um cara
romântico que acredita no verdadeiro amor, em relacionamentos sérios e
duradouros e coisa e tal. Summer é uma mulher moderna, independente e
completamente alheia a estas questões afetivas e que possui uma visão
bastante liberal sobre relacionamentos, sexo e amor. Aliás, ela não
acredita no amor e seus casos e encontros são puramente sexuais e
efêmeros. Summer possui a mentalidade da maioria dos homens você deve
estar pensando. Pois é… Aqui os papéis se invertem e quem gosta de
discutir a relação é ELE e não ela! Para Summer é só um caso de verão e
nada mais (Será este apenas um trocadilho infame dos roteiristas?).



Entre
idas e vindas o casal vai levando a vida e o relacionamento se
fortalece em determinado momento para enfraquecer em outro. A cena em
que retrata o dia seguinte da primeira transa deles é simplesmente
hilária e vai ficar como antológica da sétima arte. Todo mundo que teve
na cama a pessoa amada (e perdidamente desejada) com certeza sente-se
como se estivesse a bailar pela rua indiferente a multidão. Até mesmo
ver passarinho azul deve ser coisa normal em momentos de extrema
felicidade. O mundo se torna mais colorido, as pessoas mais simpáticas e
tudo parece que vai dar certo. O tempo passa e Tom Hansen percebe que
sua namorada (seria mesmo sua namorada?) possui um comportamento
despojado demais para suas pretensões sérias de levá-la ao altar. Summer
não é uma garota de guardar opinião e diz na lata o que lhe vem à mente
colocando seu parceiro em verdadeiras arapucas e em situações
constrangedoras (para não dizer de puro sofrimento e angústia). Mas o
amor é mais forte e ele tenta, desesperadamente, não perdê-la.

Outra cena antológica (com certeza será repetida em outros filmes) é a
perspectiva que a pessoa que ama tem em relação à realidade dos
acontecimentos que envolvem a pessoa amada. Quem ama sempre tem
expectativas favoráveis ao futuro do romance o que nem sempre acontece
na realidade. Na cena em questão Tom é convidado a participar de uma
festa na casa de Summer e neste momento a tela se divide em duas. De um
lado assistimos as “Expectativas” de Tom em relação a este reencontro e
tudo o que ele gostaria que acontecesse nesta festa que seria reatar o
romance e ser o centro das atenções da mulher amada. Porém, o que se vê
na outra metade da tela é justamente o contrário. A “Realidade” é mais
crua e dura e é impossível não sentir uma pena enorme deste homem
apaixonado e uma raiva imensa desta mulher insensível. Para piorar as
coisas ele descobre que ela está noiva de outro cara! Ele deve ter
pensado: “como assim?” A mulher sempre argumentou contra união estável e
tudo mais e de repente ela vai CASAR com outro? O coitado sai em
disparada da festa e o seu mundo desaba.

Sofrer por amor é duro. Ser abandonado quando se está perdidamente
apaixonado mais cruel ainda… Mas a vida continua e é preciso seguir em
frente. Por não ser uma comédia romântica padrão o filme retrata apenas
uma fase na vida de um cara que se apaixonou pela mulher errada que nem
de longe é sua alma gêmea. Solidão, abandono e a dura realidade pela
frente. Assim ele larga o trabalho de fazer cartões de amor e
felicitações vazias e sem sentido (isso ele descobre depois) e vai
procurar emprego como arquiteto. Outra grande ironia do roteiro.
Enquanto Tom dedicava sua vida a escrever sobre amores, felicidades e
confraternizações em cartões para enamorados anônimos seu destino
tratava de impor-lhe outra dura realidade. De tanto escrever sobre
felicidade acreditava, sinceramente, que encontraria sua alma gêmea e
então também teria direito a receber seus cartões em datas festivas. Um
cara que sabe escrever sobre o amor deveria saber conquistar a mulher
amada. Mas não foi o que aconteceu como se viu. Quando finalmente
resolve dedicar-se a projetar “sonhos reais” (liberdade poética minha) e
a desenhar linhas em ferro, concreto armado e a fazer cálculos
matemáticos o amor, finalmente, bate-lhe na porta. Assim é a vida! Nada
melhor que um novo amor para esquecer um amor perdido.

Gostaria de abrir outro parêntese aqui (como tantos parênteses neste
texto e no próprio título do filme). Ou um novo parágrafo como queiram.
Enfim… Gostaria de acrescentar que ao assistir (500) Dias Com Ela
tive a impressão de estar assistindo um filme de época. O figurino; os
cenários; a fotografia; os gestuais dos atores, tudo me levava a crer
que a história de Tom e Summer se passava na década de 60 ou 70. Claro
que as cores utilizadas no filme não eram berrantes ou caleidoscópicas
como naquela época. Mas o corte das roupas, a fita no cabelo da Summer; o
colete inseparável de Tom; o madeiramento do escritório e os prédios
sempre antigos retratados nas ruas de Los Angeles me levaram a ter esta
impressão. Até o relógio que o despertava para a triste rotina era um
modelo bastante antiquado (ou me pareceu no momento) e a loja onde só
apareciam discos de Vinil. Levei um susto, porém quando vi a cena em que
Tom e sua jovem irmã estão a se divertir em uma partida de vídeo-game
em um aparelho de última geração com joystics sem fio! Pelo visto só eu
tive esta impressão de “filme de época” já que não li nenhum comentário
neste particular dos meus amigos que viram o filme.

Para os que estão a chorar rios de lágrimas neste momento por um amor
perdido ou não correspondido esta história é bastante ilustrativa e
mostra que nem tudo está perdido e que este momento de sofrimento é
passageiro. No futuro irão perceber que a dor não era tanto assim e que
aquele amor na realidade foi mesmo é superestimado (ou não… vai saber).
Para usar um velho clichê diria que “o tempo cura todas as feridas”. Se
existe uma lição de vida para ser aprendida neste filme (e sempre se
aprende alguma coisa em produções com esta qualidade e honestidade) esta
lição poderia ser resumida numa frase: A felicidade pode ser efêmera,
mas não existe dor que dure para sempre. O clichê é meu, podem atirar as
pedras!
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Valdeci C. de Souza

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