O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

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O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por Valdeci C. de Souza em Qui Jun 28, 2012 10:39 am

Tenho visto muito filme fora do circuito americano ultimamente e algumas destas produções vêem da França. Sempre gostei da cinematografia da cidade luz pela valorização que eles fazem dos bons diálogos, das cenas com uma velocidade em que é possível absorver (e apreciar) as expressões faciais e interpretações dos atores de um modo amplo e comovente. Alguns dizem que os franceses fazem filmes “cabeça” demais e com uma introspecção cansativa com cenas em que a câmera passeia por cenários e fotografa os atores de uma maneira em que não se conta o tempo. Diferente da cinematografia americana onde tudo é muito rápido e as cenas acumulam-se umas às outras sem que o espectador tenha tempo para assimilá-las ou absorvê-las. Todas filmadas da mesma forma e com a mesma estética dos vídeo-clipes da MTV. Aliás, esta é a linguagem americana em todas as suas produções. Com algumas exceções, claro. Sinceramente nunca me ocorreu este pensamento de que os franceses fazem só filmes “Cult” ou coisa que o valha, porque sempre gostei mais de um bom diálogo a um filme meramente de explosão e tiroteios. Valorizo, sobretudo, um trabalho de interpretação de atores e um trabalho autoral. Cada vez mais raro hoje em dia, diga-se de passagem.

Caso você também tenha a impressão que o cinema francês seja elitista e “cabeça” demais sugiro então que veja, sem demora, os filmes “A Cidade das Crianças” dirigido por Nicolas Bary, “Amor ou Consequência” dirigido por Yann Samuell e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulian” com direção de Jean-Pierre Jeunet. Aposto que sua opinião vai mudar rapidinho e quem sabe você também se torne um amante da sétima arte produzida na terra de Edith Piaf. Todo este preâmbulo só para salientar a qualidade artística da produção O Fabuloso Destino de Amélie Poulian que vi esta semana e que ainda guardo na memória os olhos pretos de Amélie Poulain (Audrey Tatou) a me fitar ao som daquela trilha sonora comovente.



Jean-Pierre Jeunet se utiliza do universo fantástico para narrar à história de Amélie Poulain uma garota que passou a infância e a adolescência a observar a vida dos outros já que a sua própria existência lhe parecia sem significado. Seus pais neuróticos a mantinham longe de tudo e de todos por acreditarem que ela sofria de problemas cardíacos e assim a mantinham em total reclusão. Como sua mãe era professora, seu aprendizado foi feito em casa mesmo longe de outras crianças. Este voyeurismo involuntário e a morte prematura da mãe trouxeram para Amélie uma personalidade de quem acredita que a vida é só observar os outros e que nada mais lhe resta além desta solitária existência.

Adulta muda-se do subúrbio para o bairro parisiense de Montmartre onde trabalha como garçonete. Sua vida continua a mesma de observadora da vida alheia até o dia em que, acidentalmente, descobre escondido no rodapé de seu banheiro, uma caixinha com pequenos objetos e fotografias do antigo morador da residência. Intrigada com a descoberta assalta-lhe o desejo de entregar estas “lembranças” de infância ao verdadeiro dono. Ao presenciar a alegria com que Dominique (Maurice Bénichou) recebe a caixa com suas recordações resolve que vai dar outro sentido para sua vida: ajudar as pessoas a sua volta. Assim, começa seu fabuloso destino de levar alegria e esperança para desconhecidos e assim trazer emoção para seu coração nada enfermo. Um coração que na realidade é carente de afeto e atenção. Esta jornada de boa samaritana vai levar Amélie a encontrar outros personagens com personalidades tão intrigantes quanto a sua própria: A atendente da tabacaria que se sente excluída; o vizinho conhecido como “o homem dos ossos de vidro” que vive recluso há vários anos no seu apartamento; o rapaz da quitanda que é humilhado pelo patrão; o escritor canastrão; o cliente do bar que atazana a vida de outra garçonete e tantos outros que cruzam seu caminho. Enfim, uma nova visão de mundo e de perspectivas se abre para Amélie. Suas ações no trabalho e nas andanças pela cidade são realizadas no sentido de trazer emoções fortes e um sentido para a vida destas pessoas.

Na busca de encontrar felicidades alheias, Amélie também vai encontrar o amor da sua vida nos olhos de Nino Quincampoix (Mathieu Kassovitz) um cara tão solitário quanto ela própria e que tem por hábito fazer coleções das mais inusitadas possíveis. Sua última mania é colecionar fotografias 3×4 jogadas no lixo que cola em um álbum. Assim como Amélie ele também procura encontrar sentido para a própria vida acumulando “lembranças” alheias. Almas gêmeas é a primeira impressão que o espectador percebe ao vê-los juntos, e não tem como não torcer para que fiquem juntos no fim.

Direção de arte primorosa, edição ágil, fotografia que realça a beleza de Audrey Tatou e a comovente trilha sonora composta por Yann Tiersen dão um charme todo especial a este filme que transfere ao espectador um sentimento de nostalgia e paz de espírito. Um romance de uma singeleza que comove e apaixona. Não tem como não ficar hipnotizado pelos olhos de Amélie e pelo seu crescimento como ser humano. O roteiro foi escrito quase com um conto de fadas com direito a voz melodiosa de um narrador em off que vai pontilhando cada descoberta da personagem até o fim da história. Deixe-se levar pelo sorriso de Amélie e também se apaixone por esta história.

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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por Lucy in the Sky em Qui Jun 28, 2012 10:48 am

Filmes mais ágeis não impedem a apreciação das atuações. É o caso de Cassino e Magnólia. A ideia de que no cinema americano não dá pra absorver nada, salvo exceções, não tem sentido pra mim. Só se forem os filmes de Baz Luhrmann. O de outros diretores me permitem apreciar atuação, cenários, figurino etc. Inclusive os que têm a ação como um dos pontos principais. Passei os filmes babando pelos cenários de Star Wars e pude admirar muito bem a evolução da animação em Os Incríveis, sem deixar de acompanhar todo o resto.

Amélie é um filme bonitinho, mas bobinho, não é um grande filme. A protagonista é fofa e simpática, a fotografia é linda e a trilha sonora é uma das melhores do cinema. As músicas poderiam ter sido mais bem aproveitadas para engrandecer as imagens...

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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por Mr. Scofield em Qui Jun 28, 2012 4:27 pm

Eu concordo. Amélie Poulain é um filme esteticamente muito interessante cheio de visuais coloridos e pontos de vista incomuns mas não passa muito disso. A estória é bobilda e com algumas pinceladas que não me agradam.

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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por Jack Ryan em Qui Jun 28, 2012 9:06 pm

Eu vi só uma vez, e na época do lançamento. Lembro de ter gostado, mas menos do que as pessoas que pagavam muito pau. E não tenho muita vontade de rever.
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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por Nacka em Qui Jun 28, 2012 10:05 pm

Mr. Scofield escreveu:Eu concordo. Amélie Poulain é um filme esteticamente muito interessante cheio de visuais coloridos e pontos de vista incomuns mas não passa muito disso. A estória é bobilda e com algumas pinceladas que não me agradam.

É por aí. Bem esquecível.
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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por enxak em Sab Jun 30, 2012 3:34 pm

Nacka escreveu:
Mr. Scofield escreveu:Eu concordo. Amélie Poulain é um filme esteticamente muito interessante cheio de visuais coloridos e pontos de vista incomuns mas não passa muito disso. A estória é bobilda e com algumas pinceladas que não me agradam.

É por aí. Bem esquecível.

Endosso. Filme chatinho, chatinho...
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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

Mensagem por Lucy in the Sky em Sab Jun 30, 2012 3:44 pm

Eu acho divertido. É meio esquisito e eu gosto das esquisitices dele. Mas não é a maravilha que alguns dizem ser. Não me emocionou muito, e até me irritou um pouco perto do fim, quando Amélie fica fazendo doce pra encontrar o homem e parece uma retardada. Eu entendo que ela é retraída porque cresceu isolada, mas é irritante mesmo assim.

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Re: O Fabuloso Destino de Amélie Poulian

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