A Terceira Xícara de Chá

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A Terceira Xícara de Chá

Mensagem por Valdeci C. de Souza em Qui Jun 28, 2012 10:09 am

A Terceira Xícara de Chá narra às aventuras (e desventuras) de Greg Mortenson um alpinista que construiu escolas no Paquistão e no Afeganistão para combater o terror com educação. Mortenson queria chegar ao topo da montanha K2 considerada a mais perigosa do mundo. Mas a senhora do destino tinha outros planos para este americano duas vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Ele falhou na sua jornada a poucos metros de seu objetivo e teve que regressar por outros caminhos até perder-se quase ao pé da cordilheira. Não conseguiu atingir o topo da montanha K2, mas elevou milhares de crianças e jovens (principalmente meninas subjugadas) ao topo da montanha chamada Esperança para que elas pudessem, através da educação, trilhar seus próprios caminhos e não serem mais massa de manobra de terroristas e aproveitadores de toda ordem. Deu a estas crianças a possibilidade de lutar por um futuro melhor e a atingirem seus limites além de suas fronteiras de submissão, abandono e sofrimento. Suas armas: Os livros!

Em setembro de 1993 Greg Mortenson foi obrigado a abandonar seu projeto de chegar ao pico da K2 e, ao descer a montanha, perdeu-se de seu grupo e chegou à aldeia Korphe, no nordeste do Paquistão completamente desorientado, ferido, exaurido pelo cansaço, pela fome e sede. Foi acolhido pelo líder Haji Ali com a saudação “As-salaam Alaaikum” (a paz esteja contigo) em seguida lhe foi servida uma xícara de chá. Para agradecer a hospitalidade recebida, prometeu construir uma escola na região para atender as crianças que não tinham onde estudar. Feita a promessa e já nos Estados Unidos começaram a surgir às perguntas: Como conseguir dinheiro para a empreitada? Por onde começar? O que fazer? Muitos questionamentos e nenhuma ação prática. Para quem não dispunha de dinheiro e capacidade administrativa, profissional e principalmente capacidade financeira para realizar a empreitada, a tal promessa foi ficando cada vez mais difícil de ser cumprida.

Enfrentar uma cultura que não valoriza a educação de meninas, um governo (e seus líderes religiosos) que não disponibiliza condições de aprendizado e muito menos a construção de escolas foi um trabalho árduo que Greg enfrentou. Isto sem contar as dificuldades de acesso às regiões agrícolas remotas onde seria preciso levar o material de construção. Depois seria preciso encontrar pessoas preparadas e dispostas a erguer as escolas e principalmente professores qualificados para ensinar as crianças. Foi preciso convencer líderes religiosos locais e chefes de famílias da importância do ensino de suas crianças. Até mesmo pagar propina para uns e outros e uma série de dificuldades burocráticas para erguer a primeira escola no Paquistão.

A primeira escola levou três anos para ser construída. Para quem não tinha um dólar furado no bolso e dormia no banco de trás de seu carro para não pagar aluguel e trabalhando feito um condenado como enfermeiro para economizar uns trocados diria que foi bem rápido. Não fosse a promessa a um povo que acreditou na sua palavra e esperava a construção da escola, Greg provavelmente seria outra pessoa e não teria construído um novo destino para milhares de crianças no Paquistão e no Afeganistão. Para conseguir dinheiro resolveu fazer palestras sobre alpinismo e as dificuldades dos povos da região próximos a montanha K2. Escreveu mais de 500 cartas (a grande maioria em máquinas de escrever portátil) pedindo apoio financeiro para líderes políticos, celebridades da música, cinema, editores, jornalistas e trabalhava horas extras intermináveis para arrecadar dinheiro para seus projetos. Quando conseguiu erguer a primeira escola com todas as dificuldades começaram a surgir algum dinheiro extra e um bom financiador sugeriu que ele construísse uma fundação para construir mais escolas. Foi criado então o Instituto da Ásia Central com o objetivo não só de construir escolas, mas de realizar todo um trabalho para que as crianças tivessem acesso a elas.

Durante mais dezessete anos Greg Mortenson construiu escolas no berço do Talibã e refúgio da Al-Queada. Sozinho declarou guerra às raízes do terrorismo – pobreza e ignorância – fornecendo uma educação equilibrada e não-extremista. Por contrariar interesses, foi vítima de seqüestro por uma semana por militantes extremista e recebeu fatwas de mulás enfurecidos. Foi ameaçado de morte por norte-americanos que o consideravam um traidor quando do atentado de 11 de Setembro de 2001. Mortenson nunca desistiu de seu sonho e ainda continua construindo escolas porque acredita que só assim é possível combater o terrorismo e ajudar crianças a terem um futuro melhor através da educação. O Instituto da Ásia Central já construiu 131 escolas nas áreas rurais do Afeganistão e no nordeste do Paquistão e 60 escolas temporárias nos campos de refugiados da região.

A terceira xícara de chá do título do livro tem a ver com um provérbio balti (língua falada no norte de Kashemir considerada um dialeto da língua tibetana) que diz “Você se torna parte da família depois de compartilhar a terceira xícara de chá”. Um livro que impressiona pela narrativa de luta de um homem contra todo um sistema que suga milhares de crianças e jovens para o terrorismo. Como alpinista Greg pode ter falhado (será mesmo?), mas como cidadão é merecedor de todas as homenagens pelo trabalho que vem desenvolvendo. Depois dizem que UMA pessoa não faz a diferença…

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Valdeci C. de Souza

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