Um Conto Chinês

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Um Conto Chinês

Mensagem por Valdeci C. de Souza em Dom Jul 01, 2012 9:26 am




Imagine uma vaca caindo do céu e destruindo o seu barco no exato
momento em que você está prestes a pedir a mão da sua amada em
casamento. Pois é… Coisas estranhas acontecem sem qualquer explicação
lógica. Pois foi exatamente o que aconteceu com Jun (Ignacio Huang) na
China. Mas esta é só a primeira cena de um filme encantador, trágico e,
porque não dizer, muito engraçado chamado Um Conto Chinês,
uma produção Argentina/Espanha com direção de Sebastián Borensztein.
Não tem como não rir das situações hilárias que Jun vai passar quando
for procurar seu tio no outro lado do mundo. Mas ele ainda não sabe nada
disso… O espectador presente que esta história ainda vai render outras
tantas confusões (não, não sou o redator que faz as chamadas da Sessão
da Tarde da Rede Globo) quando na cena seguinte a esta tragédia, a cena
começa de cabeça para baixo e vai, aos poucos, invertendo sua posição à
posição normal da câmera e focaliza a entrada de uma pacata ferragem na
Argentina.
Roberto (Ricardo Darin) é um pacato, metódico, mal-humorado e
solitário dono de uma ferragem que, nem em um milhão de anos, imaginaria
que sua vida vai dar uma volta de 360 graus. Aliás, não foi à toa que
uma vaca que caiu do céu na China teria conseqüências na sua vida em
particular na distante Argentina. Para quem colecionava tragédias e
histórias pitorescas de vários jornais, Roberto deveria prever que algum
dia ele também seria personagem de algo insólito e inexplicável. Mas
ele ainda também não sabe nada disso…
Quando Roberto encontra Jun os destinos destes dois personagens se
entrelaçam irremediavelmente. Além da dificuldade de comunicação,
Roberto não está disposto a dividir seu espaço com uma pessoa, muito
menos com um chinês de quem não entende patavina. Sua vida é uma rotina
de verificar se a quantidade de pregos na caixa está correta e a
proclamar sua frase favorita “puta-que-pariu”. Também não está disposto a
mudar de hábito de deitar-se e apagar a luz exatamente às 23:00h.
Todavia, o comerciante é um sujeito de bom coração e não consegue deixar
de acolher Jun em sua casa até que este possa localizar seu tio. Na
Delegacia só consegue indispor-se com a lei. No bairro Chinês ninguém
conhece o tal parente do jovem e na embaixada a burocracia é tanta que
acaba sendo despejado do prédio sem a solução de seu problema. O
desespero vai aumentando e a bondade agora tem prazo fixo para acabar:
Sete dias. Marcado religiosamente na folinha afixada na porta da
geladeira a cada novo dia!
Assim, nesta convivência problemática, muda, gestual e desesperadora,
vão vivendo o solitário e carrancudo Roberto e o desesperado Jun. As
situações que ambos se envolvem nesta busca (Jun procurando recomeçar a
vida e Roberto tentando recuperar sua metódica solidão) são patéticas,
engraçadas e, por vezes, comoventes. A trilha sonora se encarrega de
criar ambientes propícios para levar o espectador a entrar no clima
destas situações. Ricardo Darin mais uma vez prova ser um excelente ator
e Ignacio Huang não compromete muito na pele de Jun. Claro que esta
aproximação, a princípio insólita e sem propósito, tem um significado
moral (no sentido de um propósito) e nos ajudam a refletir sobre o nosso
destino e o nosso livre arbítrio de mudá-lo (ou não).

Vale à pena conferir este Um Conto Chinês. Talvez você também
encontre uma razão para acreditar que o universo – de alguma forma –
conspira a seu favor ou que a sua vida tem um propósito muito além do
seu próprio umbigo.
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Valdeci C. de Souza

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Re: Um Conto Chinês

Mensagem por felipe. em Ter Jul 03, 2012 8:46 am

O filme é realmente interessante, e gosto como ele explora bem as relações que Roberto tem com todas as pessoas ao seu redor, desde os clientes da loja até a paixão antiga que insiste em tentar reatar. E, apesar de todo seu mau humor, é impossível não sentir empatia pelo personagem e entender toda sua frustração com relação ao mundo.
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